quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Ninguém é alguém sem ninguém

Algumas vezes nos deparamos com coisas que são muito maiores, que vão muito além do que as palavras têm capacidade de falar, do que as pessoas possam enfim expressar, possam contar ou simplesmente procurar alguém que os ajude a não desistir, a pensar que as coisas podem ser muito maiores, muito mais valiozas e muito mais especiais quando as pessoas que nos amam demonstram que nos amam de fato, pois as vezes o subentenedido apenas não faz sentido. As vezes as coisas precisam de muito mais do que palavras pra explicar e dizer o que se passa efetivamente diante de um relacionamento humano que busca em si algo mais que um colo todas as vezes em que alguém chora ou que uma voz clama lá no infinito.
Não se trata de ligar o rádio e ouvir outras vozes, porque as vezes o que se precisa é calor, é alguém dizer o quanto você pode ser importante, o quanto você consegue ser importante.
De qualquer forma, as coisas podem ser relembradas, rememoradas e no fim, ninguém consegue ser alguém sem ninguém. E isso é preciso entender.

sábado, 30 de outubro de 2010

Meus três desejos

Nesta vida ...
Pode-se aprender três coisas de uma criança:
Estar sempre alegre, nunca ficar inativo,
E... chorar com força ...
Por tudo aquilo que se quer.

Paulo Leminski

E o tempo passar...

"Estou como se ja tivesse alcançado o que eu queria
e continuasse a não saber que alcancei.
Será que foi essa coisa meio equívocada e esquiva
que chamam vagamente de "experiência"?

Clarice Lispector

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Encantos à beira-mar

Tarde nublada e quente. Um banquinho à beira-mar. Praia movimentada, mas vazia.
"Você quer ouvir?". Não, não era isso que queria dizer... Melhor perguntar se ela poderia falar.
Foram muitas palavras... Palavras que jorraram de sua boca, que pouco dizia. Em verdade, nada dizia, mas urrava em silêncio. Uma mistura de raiva ressentida com submissão não dita.
E sua história foi saindo... Foi cuspindo letrinhas frias e sem lágrimas, secas como seus olhos que brilhavam, mas não choravam, porque a vida havia lhe ensinado a ser forte e resistente.
Ou a ser calada e inconsequente.

- Para C.

Descontínuos

Não, não quero mais sonhar.
Não quero mais risos despropositados, sonhos mistificados.
Não quero a cor do céu, nem sua língua voraz.
Da pele que se vai, o sentimento que fica. O tom, o cheiro.
É vida borbulhante e descontínua. É som estridente que sai da boca de um anjo.
É raiva mascarada, sentimento desnudo. É grito sem tonalidade, imaginação sem espirais nem soluções.
Te esperava. Te esperava porque sempre esperei. Esperava porque não via outra solução. Simplesmente porque esperava.
E porque não voltará. Nem aqui, nem além do mar.