quarta-feira, 2 de março de 2011

Então hoje, meu bem,


...vamos?! Vamos colher os frutos de tudo o que plantamos nos últimos anos, em nossas últimas vidas?! Vamos correr sorrindo alegremente por um jardim florido com margaridas e tulipas?! Hoje, meu bem, vamos juntos colecionar fotografias de borboletas, vamos contar as moedas no fundo da fonte?! Ou você prefere deitarmos na calçada para caçarmos as constelações num céu estelado de azul-anil?! Mas, no meio disso tudo, eu posso te fazer uma pergunta?! Posso perguntar o quanto vale a vida para você?!Posso te questionar acerca de teus desejos, de teus sonhos e de nosso amanhhecer?! É... "Estamos, meu bem, por um triz... Do dia nascer feliz!" Por um triz "do mundo inteiro acordar e a gente dormir", feliz!

- Para T. F.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Na noite

Se tudo o que vira fora um imenso e intenso buraco negro, se as cores não se distinguiram em formas acessíveis e enquadradas em um tamanho que me fosse visível, por que, mas por que insistia em manter a linha, em me controlar obsessivamente, se tudo lá fora andava tão descontrolado?! O vento, as folhas voando, a marca laranja do tempo.
Se pudesse ter escolhido, diria que não o queria. Não o queria porque magoava e machucava profundamente. Grandes filetes de sangue que insistira que desta vez não correriam, que não me diriam quem sou, pois eu é que diria a eles quem eu era, quem eu sou! Quisera ser mais descomplicada, menos sensível. Quisera, é verdade, mas não o era. Quisera inúmeras vezes um ideal menos romântico e sonhador, mais pé no chão, ou simplesmente um ideal não-ideal. E tampouco isto eu tinha.
Foram gritos abafados no travesseiro, socos inaudíveis nas paredes, lágrimas compulsivas e intensas na face... E no fim, um telefonema, um vestígio dor e mais nada. Apenas silêncio e aceitação.

- Para V.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Humildade

“ – Em Roma, senhor Holmes, quando César voltava vencedor das batalhas e a multidão o aclamava, entusiasmada, durante os desfiles do Triunfo, fazendo-lhes as honras de uma divindade, ele costumava ter ao seu lado um escravo sussurrando-lhe ao ouvido: “És calvo, velho e barrigudo...”. Queria, com isso, lembrar-se de que era apenas humano. A humildade é a mãe de todas as virtudes. Guarde O Canto do Cisne como um troféu do escabroso caso que não conseguiu resolver.”

- Jô Soares – O xangô de Baker Street

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Como diria Chaplin

"Não faças do amanhã o sinônimo de nunca, nem que o ontem te seja o mesmo que nunca mais. Teus passos ficaram. Olhes para trás... Mas vá em frente pois há muitos que precisam que chegues para poderem seguir-te." (Charles Chaplin)

Eles se amam.


Todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossível. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro e deveriam lutar por isso. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por aí, cada um sabe a falta que o outro faz.