terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Quando mentiras se confundem com verdades

Em geral, almas só falam a verdade. Buscadores, é claro, possuem os requisitos de seu Chamado, mas entre as almas nunca há razão para mentir. Com a linguagem do pensamento de minha última espécie, teria sido impossível mentir, mesmo se quiséssemos. Contudo, ancorados como estávamos, nós nos contávamos histórias para aliviar o tédio. Contar histórias era o mais honorífico de todos os talentos, pois beneficiava a todos. Algumas vezes, os fatos se misturavam tão completamente com a ficção, que, embora nenhuma mentira fosse dita, era difícil lembrar o que era estritamente verdade.

- Stephanie Meyer, in A hospedeira, p. 21.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

No, no, no, baby

Don't lose who you are, in the blur of the stars
Seeing is deceiving, dreaming is believing
It's okay not to be okay
Sometimes it's hard
to follow your heart
But tears don't mean you're losing
everybody's bruising
Just be true to who you are

(Yeah, yeah, yeah, but so hard!)

- Jessie J, in Who you are.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sobre o vazio de perder alguém

 - Você tem medo da morte, Laura?
A pergunta me surpreendeu.
 - Atemoriza-me mais o vazio que ela deixa. Não a temo particularmente, não se pode ter medo do que não se conhece.
 - É provável que seja isso o que mais inquiete: o desconhecimento do que acontece quando alguém morre. Se qualquer um dos nossos entes queridos mortos se apresentasse durante alguns instantes e nos dissesse que está bem, e o víssemos sorrir, não acha que carregaríamos melhor nossa dor?

- Paloma Sánchez-Garnica, in O Grande Arcano, p. 324.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Sobre o medo de sofrer

Naquele exato momento, arrependi-me da minha brusquidão. Sempre acontecia a mesma coisa comigo: havia muito tempo, de forma inconsciente, devido à minha obsessão de evitar que me fizessem mal, tecia ao meu redor uma espécie de limite territorial ao qual não permitia que ninguém chegasse. Mas, às vezes, essa atitude fazia com que me sentisse mal e me deixava demasiadamente isolada e muito sozinha.

- Paloma Sanchéz-Garnica, in O Grande Arcano, p. 95.

É quase o mesmo que ter que admitir que é tudo aparência, e o quanto isto tudo é muito difícil! É quase como a impossibilidade de demonstrar fraqueza, aparentando sempre um jeito mulher-maravilha de ser, só querer mostrar o que há de bom, e quando necessário, porque o que se quer de fato é mostrar não ser ninguém. É ser justamente como uma ostra fechada que ninguém sabe o que tem dentro, sentir-se uma hipócrita enquanto todos tentam dar o melhor de si. E que é como pedra tudo o que se sente, porque não sai, porque é tão pesado que permanece no lugar, porque fica e interrompe caminhos, segura, prende dentro de si mesmo. E se tudo o que se deseja é ficar sozinha, é não precisar falar, sorrir para ninguém, na mesma proporção tudo o que mais se deseja é saber que se tem alguém, enquanto se faz de tudo para afastar. Trocar o caminho para não encontrar um conhecido, chegar atrasada na sala de aula para não dar tempo de ninguém puxar assunto, apagar a luz do quarto para fingir que está dormindo. Por que fazer isto?! Por que ser assim se só faz tanto sofrer?! Depois, chegar a noite e ficar chorando só não ajuda. E é justificado que não ajude, pois se tudo o que se vê são cinco paredes amareladas cercando um mundo que se tem deixado mofar, murchar, acabar. Que se deseja que acabe logo e que não se pode, com as mãos, destruí-lo. Porque se quer ficar só, se esconder. Aos poucos não fazem mais efeitos os desenhos, os poemas, os filmes. Porque o abandonaram em meio à escuridão e resta apenas realizar pedidos de socorro que parecem sussurro, quase calado. E que assim não ouvem, não escutam. Taparam-se os espaços com pedras de silêncio, essas que construiu, com as mãos que apertam e sufocam. Estas, que não são impulsivas, mas que produzem atos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sobre o amor

 - Será que não há mais nada para nós além disto? - indagou. Seus olhos, antes tão frios, perscrutaram os meus. - Muitas coisas aconteceram conosco... agora somos mais sensatos. Você está em segurança, está bem, está aqui. Diga que estará sempre aqui.
Ele sabia de tudo e, mesmo assim, tinha me perdoado. Precisava seguir em frente por Marcela. Havia amado Pilatos um dia... Levaria tempo, mas talvez... Eu não sabia.
 - Sim - respondi, finalmente olhando-o nos olhos. - Sempre estarei aqui.

- Antoinette May, in A mulher de Pilatos, p. 388-9.