quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sobre transtornos alimentares

http://www.youtube.com/watch?v=EiU-6GyXKGs

Sobre a dualidade humana

E aconteceu que o sentido de meus estudos científicos, que me conduziam à mística e às coisas transcendentes, suscitou e derramou imensa claridade nesse caráter de guerra permanente entre o bem e o mal em que me debatia. Em cada dia, as duas partes da minha inteligência, a moral e a intelectual, atraíam-se mais e mais para essa verdade, cuja descoberta parcial fora em mim condenada a tão pavoroso naufrágio: que o homem não é realmente uno, mas duplo.

 - Robert Louis Stevenson, in O médico e o monstro, p. 98.

Vasculhando o passado

O advogado voltou para casa de coração pesado. "Pobre Henry Jekyll", pensava, "tenho o pressentimento de que está em maus lençóis! Quando jovem era estouvado. Certamente já se passaram muitos anos mas na lei de Cristo não há prescrição. sim, deve ser isso: o fantasma de algum antigo pecado, o câncer de alguma desgraça oculta; o castigo chega, pede claudo, anos depois de a memória ter esquecido e quando o amor próprio perdoou a ofensa". E Utterson, horrorizado com esse pensamento, começou a esquadrinhar o próprio passado vasculhando todos os cantos de memória, com medo de que algum pecado antigo surgisse de repente, exigindo expiação.

- Robert Louis Stevenson, in O médico e o monstro, p. 32.

Sobre ser o outro

- Custa-me muito fazer perguntas; é uma coisa que cheira a Juízo Final. Lança-se uma, e é o mesmo que arremessar uma pedra. Senta-se alguém, tranquilo, no alto de uma colina; e a pedra desprende-se, arrastando outras, e então algum pobre coitado, que estava tranquilamente descansando em seu jardim, é atingido na cabeça, e a família tem que fazer o enterro. Não, senhor; é uma regra que eu sigo: quanto mais vejo os outros em situações difíceis, menos perguntas faço.

- Robert Louis Stevenson, in O médico e o monstro, p. 20.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Sobre a efemeridade humana

Admirei sempre os vulcões humanos. Aparecem por coincidência e sabem dos seus estragos. Fazem do nada a beleza e fingem que não se abalam são como meteoros - trazem caudas de estrelas.

- Marieta Campiglia.