sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Sobre meninas e lobos

Uma garota forte numa via rápida
Não tem tempo para o amor, não tem tempo para o ódio
Não há drama, não tem tempo para jogos
Uma garota forte cuja alma dói

Posso chorar, arruinando a minha maquiagem
Leve todas as coisas que você tomou
E eu não ligo se não estou bonita

Garotas crescidas choram
Quando seus corações estão partidos

Garota forte, estou com dor
É tão solitário no escuro
Apagões e aviões
E eu ainda lhe sirvo uma taça de champanhe
Uma garota forte
Cuja alma dói

Eu acordo, acordo, acordo
Acordo sozinha

- Sia, in Big girls cry

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Carta à autora do NSE

Movida pela sua carta de reflexão sobre um e-mail inconveniente é que escrevo. Não para contar toda a minha história, embora eu não fuja dela com as palavras a seguir, nem para te promover ou dizer que também sou contra essas ofensas de quem tem um pensamento contrário e ortodoxo sobre os rumos da sociedade contemporânea, dos alimentos, das pessoas e de seus corpos. Eu escrevo simplesmente porque quero escrever. E porque quero contar que já fiz parte das estatísticas, já fiz parte daquela porcentagem razoável das pessoas vulneráveis à morte em decorrência de sintomas de anorexia e bulimia.

Eu fui aquela criança que quase se matava fazendo exercício aos 10 anos.

Eu fui a adolescente que vomitava o almoço.

Eu sou a adulta que não consegue pensar em uma refeição sem atrelar a aquilo que deve ou não deve comer porque vai engordar, porque vai ter celulite, porque vai ficar feia e ser desprezada.

Eu sou essa adulta que, como tantas outras pessoas adultas, não consegue ligar a tv, abrir uma rede social, ver uma imagem na academia; sem pensar que é inadequada, que todo mundo está olhando para suas pernas gordas e costas largas, que todos sabem que é descontrolada e basta olhar para saber que vomitou o jantar de ontem e que agora está correndo 1 hora na esteira com o título de "CULPADA" estampado na testa.

E eu sou uma adulta que tem medo de ficar velha, ter rugas, a pele flácida e com manchas, porque me ensinaram que devo temer.

Não estou curada da bulimia nem da anorexia. Às vezes acho que jamais deixarei de ter uma visão distorcida sobre mim mesma. Mas eu continuo tentando.

É para dizer todas essas coisas que escrevo, mas é também para dizer que sou uma dessas pessoas que, assim como você, autora do NSE, tenta soar como alerta para crianças, jovens e adultos, correndo desesperada por aí com uma plaquinha escrita: "Por favor, PAREM!". Parem antes que o mundo se torne um espetáculo de corpos fabricados. Parem, antes que o mundo seja um reservatório de beleza e depressão. Parem, antes que as crianças se tornem adultos e nós troquemos a juventude por potes e mais potes de whey protein, creatina, sessões de carboxiterapia. Parem, com essa loucura, com essa ditadura, com essa fabricação em massa de APARÊNCIAS, SUBMISSÃO E TRISTEZA. A vida é mais que isso!

A vida é também correr no parque pelo prazer de sentir o vento no rosto. A vida é também correr na praia para sentir a areia fofinha nos dedos dos pés. A vida é também sair para dançar com os amigos, parar para beber um chopp em um bar qualquer, rir tanto que as bochechas congelam com ruguinhas de felicidade.

A vida, minha cara, é isso... É SER ao invés de ter.
Um corpo firminho, um rosto bonito, coxas torneadas ou braços definidos, uma barriga tanquinho?

Para que tanto esforço para isto se todas as minhas melhores histórias são contadas pelas minhas imperfeições: meus olhos de cor um pouco diferente, herança de minha avó; minha covinha na bochecha, igual à da minha mãe; a cicatriz no joelho, fruto dos meus jogos de handebol na infância e adolescência; minha marca de regata de jogar vôlei na praia. Eu SOU sim, isso tudo, e muito mais!
Eu sou mulher, sou brasileira, 23 anos, blogueira desde os 15, psicóloga por profissão e artista por opção.

Eu sou, e posso ser, qualquer coisa, mas eu NÃO SOU EXPOSIÇÃO!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Para me fazer lembrar...


Me pareço tanto com você
Olhando dá pra ver
Seu rosto lembra o meu
Desde o primeiro aniversário
O primeiro passo
Sempre pronto pra me defender

Sempre que brigou comigo
Pra eu não correr perigo
Um herói pronto pra me salvar
E com você eu aprendi todas lições
EU ENFRENTE OS MEUS DRAGÕES
E SÓ DEPOIS ME DEIXOU VOAR

Mas eu só quero lembrar
Que de 10 vidas, 11 eu te daria
QUE FOI VENDO VOCÊ
QUE EU APRENDI A LUTAR
Mas eu só quero lembrar
Antes que meu tempo acabe
Pra você não se esquecer
Que se Deus me desse uma chance de viver outra vez
Eu só queria se tivesse você

EU SEI QUE O TEMPO É IMPLACÁVEL
AFASTA NOSSOS CORPOS
MAS APROXIMA O CORAÇÃO
O seu nome sempre lembrado
Converso e falo de você sempre na oração

Foi muito chato crescer
Passei a não ter você contando histórias para eu dormir
Mesmo o mundo querendo me derrubar
Ao meu lado você sempre está
Pra me levantar quando eu cair

Se joga

Que esse ano você não pare, mas pare de se preocupar. Que esse ano todos percam a fé em você, menos você, porque quando isso acontece é decretada a sua morte em vida.

Essa coisa de viver numa corrida, sempre tentando alcançar algo. Essa coisa de não dar grandes passos agora por medo e conselhos recebidos. Essa coisa de ser feliz num futuro que sempre está alguns quilômetros na frente.

(...) Pergunte-se infinitas vezes até achar a resposta que arrepie todo o seu corpo: onde está a sua felicidade?

- In Alô Alô Marciano.

Sobre "Indo longe demais"...

É aquele tipo de livro que te escolhe, não aqueles que é você quem escolhe. É aquele tipo de livro em que, conforme o avançar das páginas, você sente que a autoria é sua, e fica até um pouco indignada, não entendendo como é que escreveram a sua história sem lhe perguntar.
Mas não é. Indo Longe Demais é simplesmente uma história comum, dessas com a qual muita gente se identifica, então ter acontecido comigo não tem nada de especial. Mas que é também uma dessas histórias que, embora comum e trivial, é capaz de mudar algumas coisas na sua vida, sem dúvidas de que é para melhor. Ele não te ganha só pela capa. Ganha pela sensibilidade, pela ousadia, ganha pela esperança que devolve ao leitor, de que algum dia, tudo vai ficar bem, enfim. Talvez, Indo Longe Demais ter me escolhido neste momento tenha sido a promessa de um futuro novo, em um lugar como esse em que a gente deixa as coisas passarem, não remói demais, não revive demais, não tenta consertar o passado pelos passos dos outros. Aí então é permitido levantar voo. É permitido voar, não para longe demais, mas para algum lugar em que haja afago para o seu coração.