sábado, 10 de maio de 2014

Who do you choose to you?

When you decide who will be in your support team, think of the person when you are feeling discouraged. Think of people in your life who really care about you and who are interested in your recovery. Not just anyone can be dependend upon for support. Not just anyone can hold your hand as you make the most difficult journey of your life. Not just anyone.

- Life without Ed, p. 22.

domingo, 4 de maio de 2014

Pare mundo louco!

Chegaaaa! Não quero que elogiem meu corpo, não quero que digam o quanto estou magra (e bonita?!), nem que me digam "continue assim!". Quero mais elogios sobre a cor dos meus olhos, o brilho do meu sorriso, o cheiro do meu cabelo! Quero mais "parabéns" pelas coisas boas que fiz, pelo bom trabalho, pela dedicação nos estudos. Chega de "muito bem" pelas coisas ruins que me deixam sempre pior!
‪#‎chegadebulimia‬ ‪#‎lifewithoutEd‬ ‪#‎maisSorrisosSinceros‬

Life without Ed

In my life, I have trusted Ed over and over again, always willing to give him another chance, only to discover that this solutions make me feel worse. I no longer trust him, and I have divorced him, but I do still have occasional slips. I am work in progress - not perfect. I am grateful that I now understand thar perfectionism is not the goal.

- Life without Ed, p. XXVII.

Vai e volta

Hoje eu fiquei muito deprimida ao pensar sobre meu peso e forma corporal. Não consigo ficar satisfeita, ou melhor, não consigo acreditar que estou satisfeita. É tanta confusão aqui dentro da minha cabeça, tanto sentimento pensado que fica misturado com a culpa e os pensamentos do quanto eu comi ontem, de tudo o que eu comi ontem, do que já comi hoje e o remorso de que deveria ter sido menos. Junto com isso, parece que eu penso que tudo já está estragado mesmo e então eu tenho vontade de comer ainda mais. Já fui umas 20 vezes na cozinha pela manhã, já belisquei uma porção de coisas e não passa essa “fome”. Já me tranquei no quarto, longe de qualquer doce, chocolate, biscoito, que eu não queeeeero comer, mas que fica aqui na minha cabeça como se fosse uma insistência moral desgraçada. Ai que raiva que estou de mim mesma, estou me odiando neste momento, louca para comer o mundo hoje e apelar para a subitramina amanhã. Não, não, não! Não quero mais esses ciclos! Não quero mais as compulsões, os vômitos, não quero mais ficar tão deprimida a ponto de não ter coragem de sair de casa! Não quero mais usar roupas muito maiores que meu corpo porque tenho vergonha dos meus braços cheinhos, das minhas pernas grossas, da minha barriga que parece tão gorda. Não quero mais sair por aí e fazer 3 horas de aeróbica até não aguentar mais. Eu não quero mais isso, mas ainda assim isso fica pulsando aqui o tempo todo. Parece que há dias em que eu não penso em outra coisa a não ser em como meu peso está aumentando, no quanto estou ficando maior e em como não gosto disso.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Partir em silêncio

“Não sei que nome tem, mas eu não sei explicar. É esse sentimento que chega e invade, toma conta das minhas mãos, dos meus olhos, e de tudo o que eu penso”. E ele a beijou. Naquela noite, não tiraram os casacos. Chegaram da rua, caminharam entre o vento gelado exaustos, com as mãos geladas e o sangue fervendo, pulmões queimando. Seria um inverno rigoroso, a julgar pelas primeiras noites do outono. Mas se bastavam. Ela com seus olhos verdes brilhantes, ele com as mãos quentes e com suas calosidades. Os últimos meses exigiram muito de ambos, o dinheiro era pouco, os amigos em menor quantidade ainda. “São tempos difíceis para os sonhadores”, ele dissera certa noite. Ela se recusava a acreditar, mas sentia na pele e em seus ossos. Perdera muito peso no último mês, chegavam tarde e não havia nada para o jantar. Ele sabia que ela estava partindo, mas ainda assim queria protege-la. Jurou-lhe que a amaria até o fim, mas no fundo, egoísta, acreditava que seu fim seria antes do dela e agora tinha que aceitar a escrita confusa dos exames. Ela iria partir. Partiria, se não pudessem fazer alguma coisa, e na realidade nada havia a ser feito. A não ser esperar. E assim, esperaram. Passaram-se os dias, as semanas, os meses. Quase um ano se fora e ela ia partindo com eles. O brilho de seus olhos diminuía a cada dia, assim como seu bronzeado, que não voltara com o sol de verão. Ele passava o dia trabalhando, trazia seus remédios a noite, mas ela, deitada na cama, não resistia. Ela ia, como carros que passavam apressados pela frente do apartamento. Pouco a pouco ele percebia que existia sem ela e que, sem ela, seria sua existência em breve, mas se recusava a acreditar. Sempre deixava algumas lágrimas caírem na sopa, às vezes perdia a hora sentado olhando para sua imagem no espelho do banheiro. Como ela partiria?

Durante várias horas ele se imaginava sem ela, sempre que se deitava, para dormir. Tinha medo de tocá-la e quebra-la, tão frágil estava. Às vezes acordava assustado, próximo demais do rosto dela, da boca bem delineada que suspirava baixinho. Ele via, ela também chorava antes de dormir, mas nenhum dizia uma palavra ao outro. E assim foram seus últimos dias juntos: cada vez mais silêncio, cada dia mais calados. “Não se vá”, implorava baixinho, para que ela ouvisse, ou Deus, “sei lá”. Por quantos meses juntos ele daria sua vida? E se ela ficasse, o que mudaria naquela estória? Quando aquelas horas e dias de silêncio, iriam acabar? Mas ela se fora. Em uma noite quente de verão, sem casacos, sem sopa, em silêncio. Ela respirara fundo e o deixara com uma rosa na mão, parado em pé na porta do quarto. “Olha, depois de tanto silêncio, eu queria dizer...”.