When you decide who will be in your support team, think of the person when you are feeling discouraged. Think of people in your life who really care about you and who are interested in your recovery. Not just anyone can be dependend upon for support. Not just anyone can hold your hand as you make the most difficult journey of your life. Not just anyone.
- Life without Ed, p. 22.
Supere isto. E se não puder, supere o vício de falar a respeito (Caio Fernando Abreu). ESCREVA.
sábado, 10 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Pare mundo louco!
Chegaaaa! Não quero que elogiem meu corpo, não quero que digam o quanto estou magra (e bonita?!), nem que me digam "continue assim!". Quero mais elogios sobre a cor dos meus olhos, o brilho do meu sorriso, o cheiro do meu cabelo! Quero mais "parabéns" pelas coisas boas que fiz, pelo bom trabalho, pela dedicação nos estudos. Chega de "muito bem" pelas coisas ruins que me deixam sempre pior!
#chegadebulimia #lifewithoutEd #maisSorrisosSinceros
#chegadebulimia #lifewithoutEd #maisSorrisosSinceros
Life without Ed
In my life, I have trusted Ed over and over again, always willing to give him another chance, only to discover that this solutions make me feel worse. I no longer trust him, and I have divorced him, but I do still have occasional slips. I am work in progress - not perfect. I am grateful that I now understand thar perfectionism is not the goal.
- Life without Ed, p. XXVII.
- Life without Ed, p. XXVII.
Vai e volta
Hoje eu fiquei muito deprimida ao pensar sobre meu peso e
forma corporal. Não consigo ficar satisfeita, ou melhor, não consigo acreditar
que estou satisfeita. É tanta confusão aqui dentro da minha cabeça, tanto
sentimento pensado que fica misturado com a culpa e os pensamentos do quanto eu
comi ontem, de tudo o que eu comi ontem, do que já comi hoje e o remorso de que
deveria ter sido menos. Junto com isso, parece que eu penso que tudo já está
estragado mesmo e então eu tenho vontade de comer ainda mais. Já fui umas 20
vezes na cozinha pela manhã, já belisquei uma porção de coisas e não passa essa
“fome”. Já me tranquei no quarto, longe de qualquer doce, chocolate, biscoito,
que eu não queeeeero comer, mas que fica aqui na minha cabeça como se fosse uma
insistência moral desgraçada. Ai que raiva que estou de mim mesma, estou me
odiando neste momento, louca para comer o mundo hoje e apelar para a
subitramina amanhã. Não, não, não! Não quero mais esses ciclos! Não quero mais
as compulsões, os vômitos, não quero mais ficar tão deprimida a ponto de não
ter coragem de sair de casa! Não quero mais usar roupas muito maiores que meu
corpo porque tenho vergonha dos meus braços cheinhos, das minhas pernas
grossas, da minha barriga que parece tão gorda. Não quero mais sair por aí e
fazer 3 horas de aeróbica até não aguentar mais. Eu não quero mais isso, mas
ainda assim isso fica pulsando aqui o tempo todo. Parece que há dias em que eu
não penso em outra coisa a não ser em como meu peso está aumentando, no quanto
estou ficando maior e em como não gosto disso.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Partir em silêncio
“Não sei que nome tem, mas eu não sei explicar. É esse
sentimento que chega e invade, toma conta das minhas mãos, dos meus olhos, e de
tudo o que eu penso”. E ele a beijou. Naquela noite, não tiraram os casacos.
Chegaram da rua, caminharam entre o vento gelado exaustos, com as mãos geladas
e o sangue fervendo, pulmões queimando. Seria um inverno rigoroso, a julgar
pelas primeiras noites do outono. Mas se bastavam. Ela com seus olhos verdes
brilhantes, ele com as mãos quentes e com suas calosidades. Os últimos meses exigiram
muito de ambos, o dinheiro era pouco, os amigos em menor quantidade ainda. “São
tempos difíceis para os sonhadores”, ele dissera certa noite. Ela se recusava a
acreditar, mas sentia na pele e em seus ossos. Perdera muito peso no último mês,
chegavam tarde e não havia nada para o jantar. Ele sabia que ela estava
partindo, mas ainda assim queria protege-la. Jurou-lhe que a amaria até o fim,
mas no fundo, egoísta, acreditava que seu fim seria antes do dela e agora tinha
que aceitar a escrita confusa dos exames. Ela iria partir. Partiria, se não
pudessem fazer alguma coisa, e na realidade nada havia a ser feito. A não ser
esperar. E assim, esperaram. Passaram-se os dias, as semanas, os meses. Quase
um ano se fora e ela ia partindo com eles. O brilho de seus olhos diminuía a
cada dia, assim como seu bronzeado, que não voltara com o sol de verão. Ele passava
o dia trabalhando, trazia seus remédios a noite, mas ela, deitada na cama, não
resistia. Ela ia, como carros que passavam apressados pela frente do
apartamento. Pouco a pouco ele percebia que existia sem ela e que, sem ela,
seria sua existência em breve, mas se recusava a acreditar. Sempre deixava
algumas lágrimas caírem na sopa, às vezes perdia a hora sentado olhando para
sua imagem no espelho do banheiro. Como ela partiria?
Durante várias horas ele se imaginava sem ela, sempre que se
deitava, para dormir. Tinha medo de tocá-la e quebra-la, tão frágil estava. Às
vezes acordava assustado, próximo demais do rosto dela, da boca bem delineada
que suspirava baixinho. Ele via, ela também chorava antes de dormir, mas nenhum
dizia uma palavra ao outro. E assim foram seus últimos dias juntos: cada vez
mais silêncio, cada dia mais calados. “Não se vá”, implorava baixinho, para que
ela ouvisse, ou Deus, “sei lá”. Por quantos meses juntos ele daria sua vida? E
se ela ficasse, o que mudaria naquela estória? Quando aquelas horas e dias de
silêncio, iriam acabar? Mas ela se fora. Em uma noite quente de verão, sem
casacos, sem sopa, em silêncio. Ela respirara fundo e o deixara com uma rosa na
mão, parado em pé na porta do quarto. “Olha, depois de tanto silêncio, eu
queria dizer...”.
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