Choramos juntas, trocando um abraço apertado por um bom tempo, sem conseguir falar. A tristeza nos uniu, mas seria só isso? Muitos anos haviam se passado desde nossa meninice. Agora, éramos mulheres que seguiam caminhos diferentes. Muito diferentes. Ao nos deitarmos juntas num divã largo, como fazíamos quando crianças, lembrei das noites distantes em que havíamos conversado sobre assuntos de extrema importância - as grandes damas em que nos transformaríamos, os maridos arrojados que nos adorariam. Que certeza tínhamos de nosso destino naquela época, como éramos seguras do que sabíamos! Onde estava agora aquela camaradagem informal, onde estavam o diálogo fácil, os sonhos, os segredos que nos vinham com leveza aos lábios?
- Antoinette May, in A mulher de Pilatos, p. 211.
Supere isto. E se não puder, supere o vício de falar a respeito (Caio Fernando Abreu). ESCREVA.
domingo, 6 de janeiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
30 dias atrás
Há trinta dias você se foi. Trinta dias atrás eu cheguei de minha corrida em um dia atipicamente estranho e cansativo e recebi uma ligação me dizendo que você havia nos deixado. Há trinta dias eu senti um aperto no peito que não lembrava de ter sentido em outro momento de minha vida e precisei conter as lágrimas e agir de forma adulta, mesmo sofrendo. E algumas horas depois eu estava viajando e deixando as lágrimas correrem enquanto via as árvores passando rápido à beira da estrada. E eu pensava... Pensava em como aquilo não poderia estar acontecendo, em como seria te ver pela última vez de uma forma diferente daquela que eu tinha te visto na vez anterior e em todas as outras da minha vida. E mesmo antes de ver e dar outra vez tchau, um tchau para sempre, eu senti saudade. Senti saudade assim como senti que você nunca nos deixaria, porque eu sei que tenho razão e que seja lá onde estejas, estás brilhando com as estrelas, minha querida. E sempre, sempre, sempre, olhando por nós. Sorrindo para mim. Eu te amo muito, minha querida vózinha!
Hoje é um dia assim...
Desses em que "as fadas deixaram abertas à noite as janelas da Terra do Nunca. E então a Guerra entrou por elas".
Confusão total.
Confusão total.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Sobre aprender a consolar
Érica queria confortá-lo, mas não sabia como. Mães adotivas lhe dizendo para parar de chorar porque ela não era a única pessoa com problemas, professoras lhe dizendo que se ela aprendesse a se defender as crianças não implicariam com ela, assistentes sociais acusando-a de choramingar. Se Érica já fora confortada alguma vez por alguém, não conseguia lembrar-se. (...) É preciso ensinar as crianças a confortar, assim como são ensinadas a amar e odiar.
- Bárbara Wood, in Solo Sagrado.
- Bárbara Wood, in Solo Sagrado.
Olhos nos olhos, você vai ver.
- Eu aprendi a lidar com gente do tipo dele.
Não há nada mais poderoso do que olhar diretamente nos olhos de alguém. Lembre-se disso, Érica. Quando for confrontada por um valentona, olhe diretamente para ela. Se for confrontada por um grupo, escolha uma e olhe diretamente para ela. Ela retrocederá e as outras a seguirão. E quando estiver na sala do tribunal, olhe nos olhos do juiz. Não olhe nenhum outro lugar. (...) Você ficará surpresa com o poder que há em seus olhos.
- Bárbara Wood, in Solo Sagrado, p. 194.
Não há nada mais poderoso do que olhar diretamente nos olhos de alguém. Lembre-se disso, Érica. Quando for confrontada por um valentona, olhe diretamente para ela. Se for confrontada por um grupo, escolha uma e olhe diretamente para ela. Ela retrocederá e as outras a seguirão. E quando estiver na sala do tribunal, olhe nos olhos do juiz. Não olhe nenhum outro lugar. (...) Você ficará surpresa com o poder que há em seus olhos.
- Bárbara Wood, in Solo Sagrado, p. 194.
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