segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sobre isso, que não tem nome, que viola o real do corpo

- O bom é que você é psicóloga. Ajuda a passar por isso, não é?
- Não. Não ajuda. São muitas coisas envolvidas.
- É muita invasão, não é? O pior tipo de violação.

13/04/2017

Sobre ter tudo e não ser nada

Meg tinha tudo. Toda aquela inteligência. Uma bolsa de estudos para uma boa faculdade. Tinha até esse computador caro que você não consegue largar. – Ela volta a me encarar. – Você só tinha a mim. E é inteligente, não me entenda mal, mas não como Meg. Ficou limitada a uma porcaria de faculdade comunitária. (...) O que quero dizer é: você nunca desistiu, nem da dança, nem da matemática, nem em nada, e talvez tivesse mais motivos para isso [suicidar-se]. Você tinha um monte de pedras nas mãos, então resolveu limpá-las, deixá-las bonitas e fez um colar. Meg ganhou um colar de joias e se enforcou com ele.

- Gayle Forman, in Eu estive aqui, p. 124-5.

Tateando às cegas

A vida pode ser difícil, bonita e caótica, mas, cm um pouco de sorte, a sua será longa. Se for, você verá que é também imprevisível e que há momentos de escuridão. Mas eles passam, às vezes graças a muito apoio externo, e o túnel se alarga, permitindo que os raios entrem. Se você estiver na escuridão, pode parece que vai continuar nela para sempre. Tateando às cegas. Sozinho. Mas não vai - e não está sozinho. Há muitas pessoas dispostas a ajudá-lo a voltar à luz.

- Gayle Forman, in Eu estive aqui, p. 228.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Sobre perder o fio da meada

Conhece a expressão "perder o fio da meada"? Então, é isso. Na vida real, a maioria de nós não faz muita ideia de onde a nossa vida vai. Podemos achar que sabemos, mas aí alguma coisa aleatória acontece e de repente você está em outra narrativa.

Sita Brahmachari, in Corações de Alcachofra, p. 253

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Como onda

Durante um só dia tudo fica claro e tudo fica escuro e de novo tudo claro. O que é preciso é não ir demais contra a onda. A gente faz como quando toma banho de mar: procura subir e descer com a onda. Isso é uma forma de lutar: esperar, ter paciência, perdoar, amar os outros. E cada dia aperfeiçoar o dia.
 
- Clarice Lispector

terça-feira, 11 de abril de 2017

Na segunda-feira de Carnaval uma moça foi assaltada

Na segunda-feira de Carnaval uma moça foi assaltada. Ele lhe deu uma facada no peito e que atingiu a aorta. Ela não tinha participado de nenhum bloco de Carnaval. Ela não estava bêbada. Ela não estava drogada. Ela não estava usando shorts curto, nem blusinha com a barriga de fora. Ela não estava em lugar ermo, nem era de madrugada. Era 19h30 da noite. Ela ia jantar com as amigas de infância que vieram passar o Carnaval no Rio. Ela não havia participado das festas com as amigas. Elas iam jantar. Um programa desses, família. Mas ela não chegou. Porque levou uma facada no peito esperando um Uber na frente de seu prédio. Até aí, tudo certo. Certo? Mas descobriram o seu erro: ela pegou o celular na mão. Ela deu mole. Por isso ela levou uma facada no peito. Ela tinha tudo para estar morta. Porque pegou o celular na mão, as 19h30 de uma segunda-feira de Carnaval enquanto esperava em frente ao seu prédio um Uber para ir jantar com amigas de infância num programa desses, bem família, sabe? Ela cometeu um erro. Deu mole.

Foi isso que ela ouviu. Que ela deu mole, por isso lev...

Nossa sociedade está doente. Porque essa moça foi vítima, mas conseguiram encontrar motivos para justificar o que aconteceu com ela. Não, conseguiram encontrar motivos para justificar que uma tragédia só aconteceu com ela porque ela errou. “Eu não uso celular na rua. Isso nunca vai acontecer comigo”. Nós criamos carapuças e cascas para nos protegermos das tragédias que nós mesmos inventamos. Criamos meios de nos protegermos numa falsa ilusão de que não cometemos os mesmos erros que os outros e nessa de não cometer os mesmos erros que os outros nos convencemos de que viver é errado. De que o certo é se proteger na casca e na carapuça, é não dar mole nunca. Se proteger é conseguir ver onde o outro errou e se garantir de que está fazendo diferente. Sim, chegamos a este ponto. Nos convencemos com nossas mentiras diárias para nos convencermos de que existe ainda um viver.

Mas olha, meu irmão, o caso é que não é a roupa. Não é o lugar ermo. Não é porque é uma mulher contra um homem. Não é porque ela estava andando a pé no meio da madrugada. Não é a festa, a bebida, o celular. O caso é que banalizamos a vida e justificamos que qualquer passo em falso na esquina é contra o fluxo. Precisamos apontar os erros dos outros para dizer que nunca vamos errar, porque fazemos diferente. E vamos, até o fim, procurar o que há de diferente entre o eu e o outro. O caso é que viemos pouco a pouco nos conformando com ter perdido nossa humanidade em troca de nos defendermos de tudo que ameace nossa ilusão de segurança.

Memórias de "Memórias de minhas putas tristes", G. G. Márquez

Me pediu nem que fosse dois dias para revirar o mercado a fundo. Eu repliquei a sério que numa questão dessas, e na minha idade, cada hora é um ano. P. 8
Nunca pensei na idade como se pensa numa goteira no teto que indica a quantidade de vida que vai os restando. P. 12

Fazia meses que tinha previsto que minha crônica de aniversário não seria o mesmo e martelado lamento pelos anos idos, mas o contrário: uma glorificação da velhice. Comecei por me perguntar quando tomei consciência de ser velho, e acho que foi pouco antes daquele dia. Aos quarenta e dois anos havia acudido ao médico por causa de uma dor nas costas que em estorvava para respirar. Ele não deu importância: é uma dor natural na sua idade, falou.
- Então – disse eu -, o que não é natural é a minha idade.
O médico me deu um sorriso de lástima. Vejo que o senhor é um filósofo, disse ele. Foi a primeira vez que pensei na minha idade em termos de velhice, mas não tardei a esquecer o assunto. E me acostumei a despertar cada dia com uma dor diferente que ia mudando de lugar e forma, à medida que passavam os anos. Às vezes parecia ser uma garrotada da morte e no dia seguinte se esfumava. Nessa época ouvi dizer que o primeiro sintoma da velhice é quando a gente começa a se parecer com o próprio pai. (...) A verdade é que as primeiras mudanças são tão lentas que mal se notam, e a gente continua se vendo por dentro como sempre foi, mas de fora os outros reparam. P. 12

A secretárias levaram ao salão um bolo com noventa velas acesas que fizeram com que eu enfrentasse pela primeira vez o número de meus anos. P. 49

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em orem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco. P. 74

A verdade é que eu não aguentava minha alma e começava a tomar consciência da velhice pelas minhas fraquezas diante do amor. P 97

- Faça o que quiser, mas não perca essa criança – disse. – não há pior desgraça que morrer sozinho. P. 110

No começo de julho senti a distância real da morte. Meu coração perdeu o compasso e comecei a ver e a sentir por todos os lados os presságios inequívocos  do final. O mais nítido foi um concerto no Belas-Artes. O ar-condicionado havia falhado (...) . No final, com o Allegretto poco mosso, estremeceu-me a revelação deslumbrante de que estava escutando o último concerto com que o destino me deparava antes de morrer. Não senti dor nem medo, mas a emoção arrasadora de ter conseguido viver até ali. P. 117-8.


Desde então comece a medir a vida não pelos anos, mas pelas décadas. A dos cinquenta havia sido decisiva porque tomei consciência de que quase todo mundo era mais moço do que eu. A os sessenta foi a mais intensa pela suspeita de que já não me sobrava tempo para me enganar. A dos setenta foi temível por uma certa possibilidade de que fosse a última. Ainda assim, quando despertei vivo na primeira manhã de meus noventa anos na cama feliz de Delgadina, me atravessou a ideia complacente de que a vida não fosse algo que transcorre como o rio revolto de Heráclito, mas uma ocasião única de dar a volta na grelha e continuar assando-se do outro lado por noventa anos a mais. P. 119-120

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sobre sentir demais

Eu gostaria de me sentir bem todo o tempo - de ter a capacidade de me sentar e funcionar sem sentir tanta pressão, sem sentir como se o sangue fosse jorrar dos meus olhos e de meus dedos dos pés e das mãos caso eu não faça alguma coisa.


- Matthew Quick, in Perdão, Leonard Peacock, p. 206.

Desculpas

Eu me sinto como se estivesse quebrado. Como se eu nunca mais pudesse me ajustar. Como se não houvesse mais lugar para mim no mundo ou algo assim. Como se eu tivesse ultrapassado o meu tempo de estadia aqui na Terra, e todo mundo estivesse constantemente tentando me dar dicas sobre isso. Como se eu devesse apenas ir embora. - Tento olhar para Herr Silverman, mas não consigo tirar os olhos das luzes da cidade refletidas na água.

- Matthew Quick, in Perdão, Leonard Peacock, p. 186.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Você mudou. Se transformou. De botão para flor.

Você não é mais aquela menina que na faculdade queria morrer.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Segunda chance

Na consulta com o médico de tórax.
Ele se joga para trás na cadeira, tira os óculos e passa a mão na testa franzida. Olha para minha mãe:
 - Eu sinceramente não sei como essa menina está viva. Dizem que tem uma hora e que ninguém morre na véspera. Só o peru. Faça essa segunda chance - e que segunda chance! - valer a pena.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Joana e as cores

Hoje ela saiu meio cansada. Joana quase nunca é daquelas pessoas animadas, que acordam cedo, fazem tudo, e saem de casa com um sorriso no rosto, cumprimentando todos os vizinhos que vão encontrando pelo caminho. Mas quase nunca é também daquelas que não abrem a boca nunca, andam cabisbaixas ou têm um desinteresse furtivo pelo mundo. Joana é mais ou menos. É na medida. Nem tudo aquilo, nem tudo isto. Mas hoje? Ah, hoje ela acordou com uma áurea diferente. Ela caminhou meio sem rumo e sequer parou para observar as vitrines dos óculos de sol. Dos vestidos. Dos anéis que ela nunca vai ter interesse em comprar. Ela não demonstrou qualquer interesse em ler os cartazes de promoção do hortifruti, nem perdeu a paciência com qualquer conversa sem graça de um ou outro grupo desses do whatsapp. Joana acordou displicente e assim seguiu o dia. Almoçou qualquer coisa sem graça – o que ela não lembra. Saiu de um restaurante medíocre porque pouco lhe interessava a fachada. Andou como tantas outras pessoas medíocres que ela encontra dia a dia enquanto caminha pela rua, sob o sol quente do meio dia. Transpira como todo mundo na saída do trabalho, nessa cidade em que não faz frio nunca. Alguma coisa mudou em Joana nos últimos dias. Ela perdeu o brilho, perdeu as cores, voltou a usar preto-branco-cinza. Sequer a vida lhe parece mais cinza. É preta. Preta como nunca antes vira.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Desabafo

Eu tinha uns quatro ou cinco anos e essa é a lembrança mais antiga que eu tenho de você. Estávamos nós dois naquela reta de asfalto, imensa, na frente da casa da nona. Você me levava até a metade do caminho, segurando a bicicleta, e depois me soltava. Incentivava para fazer a volta, mas eu sempre descia antes de virar. E você me esperava com aquela tranquilidade, que era igual à do meu avô, a parte calma da família, andar, pequenininha, a empurrar a bicicleta menor ainda, as pernas gordinhas. Você tinha tanta paciência, tanto tempo. E onde aquilo foi parar na adolescência, pai? Como chegamos àquele lugar dos relacionamentos difíceis? Tudo aquilo foi porque eu me pareço tanto com você? Tudo porque o que eu mais detesto em mim eu vejo em você? A gente só aprendeu a ser gente com a minha saída de casa. Parecia que você não concordava com nada do que eu queria para mim, mas foi você quem sempre investiu nos meus sonhos. Se você não quisesse mesmo eu nunca teria chegado onde estou. Primeiro a saída para a faculdade. Você falava sobre medicina e eu queria a psicologia. Eu nem tentei medicina e ainda assim você me levou, você se lembra? Eu nem sabia se ia conseguir entrar na segunda chamada da Universidade, mas nós saímos de casa as 5h da manhã, eu, você e a mãe. Aquelas 4 horas de viagem foi o maior tempo que eu tinha passado ao seu lado até então. E na saída você me abraçou, meio sem jeito, porque a gente não sabia direito como é que se fazia aquilo. E eu fiquei. Você sempre preocupado, se eu precisava de mais dinheiro. Sua preocupação sempre era com o dinheiro, mas suspeitava que era porque você não sabia como perguntar se eu estava bem de outro jeito... Eu lembro que aos 19 anos foi pra você e para a minha mãe que eu escrevi uma carta, nunca entregue e que continua na caixinha das lembranças, no dia em que eu tomei todos os comprimidos de dramin que eu tinha em casa para nunca mais acordar. Depois disso, eu lembro da nona morrendo. E das suas palavras duras no dia em que me pegou na rodoviária para irmos para o hospital: se fosse pra ficar velho “assim” você preferia morrer novo. Minha lágrima silenciosa escorrendo ao seu lado. E sua mão no meu ombro no velório dela, quando eu entrei na igreja e perdi o chão. Depois a faculdade acabou e eu voltei. Lembro do seu orgulho com meu primeiro emprego, um dia depois de terminar a graduação. Lembro do seu sorriso na minha formatura, aquele que está no álbum de formatura. Um dos poucos que eu vi você dar na vida. Então veio o seu diagnóstico: transtorno bipolar. E eu não fazia ideia do que isso ia significar na vida da nossa família. Eu nunca vou saber exatamente tudo o que aconteceu em casa, com você, minha mãe e o Tai, durante os anos em que estive na faculdade. Eu só lidava com seus altos e baixos nas férias. Eu só te achava um cara autoritário demais. Eu só achava minha mãe submissa demais. Eu só ficava com raiva de vocês dois. O tempo todo. Da vida que a gente levava. A graduação em psicologia não me ensinou nada sobre você. E depois veio o mestrado. A seleção inteira você torcendo contra. Mas eu sei que no dia em que saiu o resultado e eu fui aprovada, e não tinha mais ninguém em casa para sorrir comigo, foi você que eu abracei. Eu pulei da escada direto para os seus braços e você me disse: então você vai para o Rio de Janeiro. Sim, pai. Eu ia. E você, contrariado ou não, me apoiou. Você me ajudou a ficar o primeiro mês aqui, sem bolsa, nem um emprego. Você sorriu novamente quando eu liguei dizendo que tinha conseguido um trabalho. E passou os dois anos seguintes perguntando quanto que eu ganhava, querendo perguntar se eu estava precisando de alguma coisa. Eu ficava irritada, mas meu coração te entendia. Foram com esses quase 2 mil km de distância que eu entendi que amava você. Do nosso jeito, mas com todo o meu coração. Foi quando eu chorei como uma criança quando assisti a “Fathers and Daughters” e foi a partir daí que as sessões de análise começaram a se repetir: eu precisava te pedir desculpas por tudo, por sempre, e eu queria você por perto. Mais e mais e mais. Eu queria correr atrás do nosso tempo perdido. E eu me esforcei tanto. Mas nessas ultimas férias você acabou com as minhas energias. Isso, entre nós, acabou com as minhas forças. Eu queria ter ficado mais, mas eu não podia. Minha saúde mental não me permitia. A sua inconstância me deixou exausta. Foram os dias mais difíceis da minha vida. Mais que quando a nona não lembrava mais de mim e quando ela finalmente se foi. Mais que todos os transtornos que tantos anos de bulimia e anorexia puderam me trazer. O seu olhar aguardando que eu te respondesse o que você tinha, como isso foi acontecer contigo, e eu precisar de todas as minhas forças só para conter o choro acabaram comigo. Ouvir você me dizer para ficar quieta, para parar de falar, nos dizer que não somos uma família unida, que a gente só queria o seu dinheiro; quando eu, meu irmão e a mãe juntamos todas as forças que tínhamos para manter você bem e o mais longe possível de qualquer coisa que pudesse te machucar. Se você tivesse visto o desespero nos olhos da mãe no dia em que você se fechou no quarto e tiramos a janela para te tirar de lá, a preocupação dela porque "tudo estava em cima do guarda-roupas"... Pai, a gente chamou o SAMU. E a polícia. Naquele dia. Para te ajudar. Porque nós queríamos você bem. Nós queríamos VOCÊ de volta. E de lá para cá 31 dias se passaram. Eu só vejo você pelos relatos da minha mãe. Eu só falo com você pelos nossos recados trocados. Eu só sei que é você porque no dia em que falei com a mãe sobre a entrevista de um processo seletivo que eu quero tanto e que ela passou meu áudio para você ouvir ela disse que você tinha acabado de acordar e me ouvido e dito que era para eu seguir a minha vida apesar dos porquês. Para continuar com o meu caminho porque você tinha certeza de que eu me importava e que você ia ficar bem. Nesse dia eu sabia que era você. Nem que fosse só por aqueles 5 minutos, mas era você de novo. Era VOCÊ dos treinos na bicicleta em meados dos anos 90. Era você daquela foto do meu aniversário de 1 aninho, ao seu lado, sentada na sua moto. Naquelas palavras eu conseguia ver você. Mas você se perde tão facilmente entre as nuvens. Você me deixa, você deixa a todos nós aqui, sozinhos, perdidos, sem saber o que fazer para te ter de novo em casa, do seu jeito. Eu sinto a sua falta. Eu sinto saudades de você. E esse é o pior tipo de saudade, aquele que a gente sente de quem continua aqui.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

De vazio

De vazio, eu entendo. Começo a achar que não há nada a se fazer para preenchê-lo. Foi o que percebi com as sessões de terapia. Os buracos na sua vida são permanentes. É preciso crescer ao redor deles, como raízes de árvores ao redor do concreto: você se molda a partir das lacunas.

- Paula Hawkins, in A garota no trem, p. 114.

Sobre a tristeza

Mas acabei me tornando uma pessoa triste, e a tristeza cansa depois de um tempo, tanto para quem está triste como para todo mundo em volta.

- Paula Hawkins, in A garota no trem, p. 97-98.