quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Sobre o que sinto e não posso pensar

Não aguento mais isso!!! _ dizemos a nós mesmos. _ Vá trabalhar que isso passa! (você já ouviu um ditado que diz que “cabeça vazia é a oficina do diabo”?)
E a voz dentro de nós não desiste: _ Vá se divertir! Ou... vá comer! Ou... FAÇA QUALQUER COISA... entre na droga da máquina de curar loucura! Faça qualquer coisa... menos ficar no meio desse horrendo lugar de não saber. Fuja do vazio! Faça!... Faça!... Faça! ...Faça!... Faça!... assim é o som da nossa máquina... como se assim, a cada ação, bombeássemos um pouco de loucura para fora de nossos assustadores poços... (será?)
Se pudéssemos ficar, e juntar as pecinhas aos poucos... Ah, se pudéssemos nos aquietar um pouco a mente, sem tantas cobranças, sem tanta tortura, sem tanto peso. Se pudéssemos conviver com a nossa angústia, um pouco que fosse, se a pegássemos no colo como pegamos a um bebezinho assustado, até que ela se acalmasse encontrando nosso peito... E se pudéssemos escutar os batimentos de nosso coração, até que aquele ritmo de vida nos acalmasse, em breve saberíamos... não há como não saber.
Se conseguíssemos transformar a cobrança rígida por respostas em uma oportunidade de descobrir algo novo, de desvendar um mistério... com aquela excitação gostosa que temos quando crianças... tudo seria mais fácil, eu sei que seria.

"A verdade é que temos medo do caos, temos medo do que não sabemos, temos medo e sentimos angústia frente à falta de respostas que tantas vezes nos assombra. Tememos o que parece ser a nossa própria loucura, tudo o que foge dos controles que aprendemos a associar à razão" (Michel Foucault).

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